quinta-feira, 12 de julho de 2007

15° Domingo do Tempo Comum.

O bom samaritano Um doutor, profundo conhecedor dos 613 mandamentos da Lei, interroga Jesus sobre o que fazer para receber a herança da Vida Eterna. O Mestre devolve a pergunta ao interlocutor: "O que está escrito na Lei? Como você lê?". Sua resposta demonstra um bom conhecimento das Escrituras. Jesus elogia sua resposta e lhe recomenda: "Faça isso e viverá!". Todavia, para alcançar a herança eterna, é preciso algo mais. O essencial na vida é viver a misericórdia para com as pessoas, não apenas saber corretamente a doutrina e praticar ritos religiosos. Não satisfeito com a palavra de Jesus e para justificar-se, o especialista nas leis pergunta: "E quem é o meu próximo?". A compreensão de Jesus é outra. É o próximo que está em necessidade, não importa ser ele o vizinho, o amigo, um parente ou alguém estranho. Jesus quer revelar ao sábio que seu conceito pelo qual o próximo era apenas a pessoa da mesma etnia estava equivocado, e recorre, sem impor sua opinião, a uma história exemplar: a parábola do bom samaritano. Certo dia, um judeu passa pelo caminho de Jerusalém para Jericó quando é assaltado, machucado e abandonado por seus agressores. Pela mesma estrada, passam, sucessivamente, um sacerdote e um levita, conhecedores das prescrições cultuais sociais (da impureza); para não interromperem seus compromissos, seguem adiante, deixando o homem caído. A estrita observância da lei os impede de praticar a caridade. Pelo mesmo caminho, passa um samaritano, livre do peso dos preceitos legais e cultuais, praticante da religião do bem. Vendo o homem ferido e abandonado, aproxima-se dele, sem se preocupar com prescrições legais ou com o relacionamento entre judeus e samaritanos. Comovido, presta-lhe auxílio: unge-o com óleo, carrega-o em sua montaria e leva-o a um lugar onde possa ser curado. Sua solidariedade vai além, pois paga-lhe as despesas até a recuperação total. Aquele que vivia a religiosidade e o culto de modo incorreto (segundo as prescrições judaicas) e era até desprezado pelos chefes religiosos oficiais revelou-se o único capaz de exercer a caridade. Nessa parábola, a tradição teológica e pastoral vê refletida a humanidade ferida e abandonada a si mesma, e o amor compassivo de Deus que, por meio de seu Filho, se inclina para resgatá-la. Essa interpretação, tão significativa e sugestiva, continua a ser válida e ensina a viver os mesmos sentimentos de Cristo, a inclinar-se, como ele, diante da humanidade ferida e violentada e a socorrer os feridos e abandonados que jazem "semimortos" nas periferias da sociedade. Em sua avaliação, Jesus marginaliza aqueles que, investidos do poder religioso, são insensíveis e não se comovem diante das necessidades e tragédias dos outros. Por outro lado, realça o protagonismo dos que, movidos pelo amor solidário, em gestos humildes e simples, com óleo, vinho e faixas, restauram a vida e as relações feridas.

15º Domingo Comum Pe. Luiz Carlos de Oliveira (CSsR)

“Que devo fazer para ganhar a Vida?”
Um único amorUm homem versado nas Escrituras, para testar Jesus, pergunta-lhe qual é o ponto central de todo o ensinamento. Jesus responde perguntando: “O que está escrito na Lei?” Ele diz: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração [...] e a teu próximo como a ti mesmo” (Dt 4-5; Lv 19,18). Então, completa Jesus, “faze isso e viverás”. – “Quem é meu próximo?” Pergunta o doutor. Jesus explica com a parábola do bom Samaritano: Um homem caiu nas mãos dos assaltantes que o deixaram meio morto. Passa um sacerdote, aquele que tem por missão honrar a Deus, vê e passa adiante. Passa um homem de Igreja, vê e... Passa o samaritano, um herege, um pecador. Vê, pára, cuida do homem. Fez o serviço completo. Quem amou? O que teve compaixão e usou de misericórdia. Partimos da Palavra: Conhecemos o amor a partir da Palavra de Deus. Ela nos coloca diante da realidade do amor que é um só e completo quando amamos a Deus e as pessoas com o mesmo amor. Os dois primeiros homens eram ligados ao culto. Tinham o máximo da “religião”. Mas culto sem amor é vazio. O amor a Deus passa pelo próximo. João diz; “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). Há um só amor, aquele que se dirige a Deus, passando pelo irmão. E o amor ao irmão deve ser “como todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”, como a Deus. A atitude misericordiosa do samaritano faz do herege, que teve compaixão, o modelo do amor cristão. Esse mandamento não é do passado, pois Deus diz “Este mandamento que HOJE te dou não é difícil demais [...] Está em teu coração” (Dt 30,11.14). Coração, sede do amor.Quem é meu próximoNão existe meu próximo. Existe o próximo de cada um. Jesus muda o sentido da religião para a realização da fé pelo amor, não só por ritos litúrgicos e conhecimentos intelectuais. Eu sou próximo de cada pessoa. Não existem dificuldades para saber quem necessita. Basta ter um olhar sobre o mundo. Existem muitos homens caídos, como existem muitos passando ao largo. A religião verdadeira é aquela que tem o amor como sua primeira prática. Aí sim, o culto de adoração a Deus, a liturgia, vai preencher o mandamento e trazer-nos a experiência profunda de Deus em Cristo, pois é a Ele que acolhemos em cada um. Será que nossa fé não perde seu vigor quando não temos o amor e não somos o próximo de cada homem, de cada necessidade e situação, colocando-os acima de nossos interesses, mesmo religiosos? É fácil fazer uma religião sem compromisso. Mas ouviremos a palavra: “Tive fome e não me destes de comer... pois toda vez que não o fizestes ao menor de meus irmãos, foi a mim que não o fizeste ...” (Mt 25,31-43). Jesus é o bom samaritanoCristo é imagem do Deus invisível, primogênito de toda criatura, criador com o Pai, cabeça do corpo e reconciliador do universo. Mas é ícone perfeito do Pai em sua compaixão. Ao descer de sua cavalgadura, o samaritano é imagem de Jesus que vem ao mundo e desce para curar a criatura ferida. Quando temos os mesmos sentimentos de Jesus, será ele a agir em nós (Fl 2,5). Veio ser próximo da cada pessoa: “Não se envergonha de chamá-los irmãos” (Hb 2,11). Jesus se identifica conosco quando nos inclinamos sobre as dores do mundo presentes em cada pessoa. Jesus, em mim, te ama. Os grandes homens e mulheres foram os que se perderam pelos outros, fazendo-se tudo para todos. Não deixemos de lembrar as pastorais que lutam pelas crianças, anciãos, doentes, encarcerados, lavradores etc... Leituras: Deuteronômio 30,10-14; Salmo 18,b; Colossenses 1,15-20; Lucas 10,25-37.Ficha: 1. Jesus conta a parábola do samaritano para explicar ao doutor da lei quem é seu próximo. Os dois homens que passam ao largo representam os que dedicam sua vida à ciência da fé e ao culto. Jesus mostra que o amor a Deus, que está no mandamento, passa pelo amor ao próximo. Jesus faz ver que a verdadeira religião não está no conhecimento, nem no status religioso, mas na tomada de posição pelo próximo, sobretudo o sofredor. 2. Somos os próximos de cada pessoa. Jesus, ao colocar duas pessoas da classe religiosa, cultual, mostra que a religião está na fé que acontece através do amor. Somente assim o culto toma sentido e consistência. É fácil fazer uma religião sem compromissos com o irmão. Não custa, mas não rende. 3. Cristo é imagem do Deus invisível, sobretudo imagem de sua compaixão. O Filho vem ao mundo como o bom samaritano que se inclina sobre a criatura ferida. Quando temos os sentimentos de Jesus, será Ele a agir em nós. Jesus se identifica conosco.

DOMINGO 15 del Tiempo Ordinario - Ciclo "C" -

Las Lecturas del día de hoy nos hablan del amor al prójimo, como mandamiento. Por eso trataremos sobre la Caridad Cristiana y los deberes que tenemos para con nuestros semejantes.
Lo primero que debemos tener en cuenta es el hecho de que la Caridad es una virtud infundida en nosotros por Dios. Es decir, nosotros no podemos amar por nosotros mismos, sino que Dios nos ama y con ese Amor con que Dios nos ama, podemos nosotros amar ... amarle a El y amar también a los demás. Si Dios no nos amara, el hombre sería incapaz de amar.
Podemos, entonces, amar a Dios, como nos pide el Evangelio de hoy: “con todo nuestro corazón, con toda nuestra alma, con todas nuestras fuerzas y con todo nuestro ser” (Lc. 10, 25-37). Así, con esa medida, debemos amar a Dios. Y esto no es imposible.
Nos lo asegura la Primera Lectura del Libro del Deuteronomio, que es el libro del Antiguo Testamento que explica la Ley de Dios en forma práctica. Ahí nos dice Moisés lo siguiente: “Los mandamientos no son superiores a tus fuerzas, ni están fuera de tu alcance ... Por el contrario, todos los mandamientos están muy a tu alcance, en tu boca y en tu corazón para que puedas cumplirlos”. (Dt. 30, 10-14)
O sea, que los mandamientos no son imposibles de cumplir, ni están por encima de nuestra capacidad. Hoy hablaremos de los Mandamientos, resumidos o contenidos en dos: el Amor a Dios y el amor al prójimo. Así lo refiere el Evangelio de hoy. Así lo aprendimos en el Catecismo: los 10 Mandamientos de la Ley de Dios se encierran en dos (Amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a uno mismo).
Ambos Mandamientos están unidos. Uno es consecuencia del otro. No podemos amar a nuestros semejantes sin amar a Dios. Y no podemos decir que amamos a Dios si no amamos a nuestros semejantes. Se ha comparado también esta doble dimensión del Amor con los elementos de una cruz: la línea vertical indica el amor a Dios y la horizontal el amor a los hombres ... para indicar así que ambos son inseparables.
Volvamos, entonces, al concepto de Caridad.
La Caridad es una virtud, o sea, una costumbre o un hábito de característica espiritual, que es infundida por Dios en nuestra alma, por medio de la cual amamos a Dios sobre todas las cosas, por lo que Dios es. Y por medio de la cual también amamos a los demás, porque Dios ha infundido su Amor en nuestros corazones (cf. Rom. 5, 5), para que seamos capaces de amar con el Amor con que El nos ama. Y amamos a los demás porque Dios así lo quiere y así nos lo ordena.
Y esta obligación de amar a los demás está basada en que todos los seres humanos, sin excepción, somos “imagen de Dios”.
Esto nos lo recuerda la Segunda Lectura de la Carta de San Pablo a los Colosenses, cuando nos dice: “Cristo es la imagen de Dios invisible, el primogénito de toda la creación” (Col. 1, 5-20). Cristo es el primero en todo. Y nosotros con El y después de El, somos también imagen de Dios. He ahí nuestra dignidad: la imagen de Dios está impresa en nuestra alma. Allí se basa la Ley del Amor: en el reconocimiento del valor que tiene cada ser humano. En cada persona reconocemos, estimamos y amamos la imagen de Dios.
Por eso la Caridad no puede depender del deseo, del afecto o de los lazos de sangre ... o de los lazos de raza, de nación o de religión, como bien lo indica Jesús en la parábola del Buen Samaritano que nos trae el Evangelio de hoy. Los judíos y los samaritanos no se trataban, tenían muchas diferencias, sobre todo religiosas. Pero el ejemplo del Buen Samaritano nos recuerda que la Caridad Cristiana está por encima de toda diferencia.
La Caridad Cristiana puede incluir esos lazos de afecto o de sangre, de raza o de religión, pero no depende de éstos. Jesucristo mismo nos advierte fuertemente: “Si amas a los que te aman ¿qué mérito tienes? Hasta los malos aman a los que los aman. Y si haces bien a los que les hacen bien, ¿qué mérito tienen? También los pecadores obran así” (Lc. 6, 32-34).
He aquí la diferencia entre altruismo y caridad, entre filantropía y amor. El Cristiano debe amar; no le basta hacer el bien con un escondido interés o con una motivación impura.
La Caridad es también independiente del sentimiento. Es más bien una disposición de la voluntad. Es un deseo de hacer el bien porque Dios nos ama así y desea que nosotros amemos como El nos ama. Por eso la Caridad no es egoísta; es decir, no busca la propia satisfacción, sino el servir al otro y complacer a Dios. Además la Caridad incluye a todos: buenos y malos, amigos y enemigos, familiares y extraños, ricos y pobres.
En el caso del Evangelio de hoy, es importante hacer notar esto de que la Caridad incluye a todos. Es así como el extraño, el Samaritano, el que no era del país, el que era considerado enemigo de la nación judía, fue el que ayudó al malherido por los ladrones.
Aquí es importante hacer notar, como nota de cultura bíblica, que el Mandamiento del Amor lo llamó nuestro Señor Jesucristo “el mandamiento nuevo”. ¿Y por qué era “nuevo”? Porque para los Judíos el mandato de amor a los demás era sólo para los de su misma raza y nación: era un amor entre ellos mismos. Por eso el Señor lo llama un mandamiento nuevo: porque se extendía a todos los hombres.
Y aquí vamos a la definición que pide el Doctor de la Ley del Evangelio. ¿Quién es el prójimo? El Señor le responde con la parábola del Buen Samaritano. Y con esto el Señor dice que el prójimo -que significa “próximo”, o el más cercano- puede ser alguien lejano ... como fue en este caso el extranjero.
Sin embargo, en el ejercicio de la Caridad, debemos saber que nuestro prójimo es aquél que el Señor nos presenta en nuestro camino. Puede ser un familiar, pero puede ser también un extraño.
Debemos estar atentos a las necesidades de los demás: necesidades espirituales y corporales. Las espirituales: enseñar al que no sabe, dar buen consejo al que lo necesita, corregir al que se equivoca, perdonar las injurias, consolar al triste, sufrir con paciencia los defectos de los demás, rogar a Dios por vivos y difuntos. Las corporales: dar de comer al hambriento, dar techo al que no lo tiene, vestir al desnudo, visitar a los enfermos y presos, enterrar a los muertos, redimir al cautivo, dar limosna a los pobres.
Y hacer estas cosas por servicio, no por propia satisfacción. Hacerlas por amor a Dios, no por quedar bien o por sentirnos bien nosotros mismos. Hacerlas porque vemos la imagen de Dios en quien necesita nuestro servicio. Esa es la diferencia entre altruismo o filantropía y Caridad Cristiana.
La Madre Teresa de Calcuta decía tener la gracia de ver el rostro de Cristo en los miserables que ella atendía. Es una gracia que podríamos pedir: ver la imagen de Dios, ver el rostro de Cristo en el prójimo necesitado.
Así se podrá cumplir en nosotros la promesa del Señor para el momento del Juicio Final, cuando dirá a los salvados: “Vengan benditos de mi Padre a tomar posesión del Reino que les he preparado desde el principio del mundo. Porque tuve hambre y me diste de comer; tuve sed y me diste de beber ... estuve enfermo y me visitaste ... etc.” Y los salvados dirán: “Señor ¿cuándo te vimos hambriento y sediento y enfermo, etc? Y el responderá: Cada vez que lo hicieron con alguno de estos mis hermanos, lo hicieron conmigo” (Mt. 25, 34-40).

“Desceu do céu” (Credo)

São Severo de Antioquia (c. 465-538), bispo
Homilia 89
“Desceu do céu” (Credo) “Um homem descia de Jerusalém a Jericó”. Cristo não disse “alguém descia”, mas “um homem descia”, porque a passagem diz respeito a toda a humanidade. Esta, na sequência do pecado de Adão, abandonou o local elevado, repousante, maravilhoso e sem sofrimento que era o Paraíso, adequadamente chamado Jerusalém – nome que significa “a Paz de Deus” – e desceu para Jericó, local plano e escavado, onde o calor é sufocante. Jericó é a vida febril deste mundo, vida que separa de Deus. […] Assim, pois, uma vez que a humanidade se afastou do bom caminho para esta vida […], os demónios selvagens vêm atacá-la à maneira de um bando de malfeitores. Despojam-nas das suas vestes de perfeição, não lhe deixando qualquer vestígio de força de alma, de pureza, de justiça ou de prudência, ou de qualquer dos elementos que caracterizam a imagem divina (Gen 1, 26); mas, atingindo-a com os golpes repetidos dos diversos pecados, derrubam-na e abandonam-na meio morta. […]A lei dada por Moisés vigorou […], mas faltava-lhe força, não podia conduzir a humanidade a uma cura completa, não elevava aquele que jazia por terra. […] É que a Lei oferecia sacrifícios e oferendas que não podiam tornar perfeitos, em consciência, aqueles que praticavam este culto, porque “é impossível que o sangue dos touros e dos carneiros tire os pecados” (Heb 10, 4). […]Passou finalmente um samaritano. Cristo dá a Si próprio o nome de samaritano. Porque […] foi Ele mesmo quem veio, realizando o desígnio da Lei e fazendo ver, pelas suas obras, quem é o próximo e o que significa amar os outros como a si mesmo.

O amor que nos torna próximos dos outros

Uma pequena historinha pode nos ajudar a compreender melhor a Palavra de Deus de hoje: “Um rabbino perguntou um dia a seus discípulos: quando termina a noite e começa o dia? Um respondeu: quando vendo de longe um animal sei dizer se é um cão ou um gato. O mestre disse: não! Outro tentou: quando de longe posso dizer se uma árvore é um pêssego ou uma figueira. O mestre disse de novo: não! Então – perguntaram os discípulos – quando? O mestre disse: até que, olhando nos olhos de uma outra pessoa, não vê que ela é teu irmão ou tua irmã, no teu coração será sempre noite!”
A Palavra de Deus dirigida a nós neste domingo através do Evangelho de São Lucas, leva-nos a refletir que a construção de um mundo melhor passa primeiro pelo reconhecimento do valor do outro/a em nossa vida. Nós não nos fazemos sozinhos, nos tornamos gente na medida que nos relacionamos e nos fazemos seres de relação.
Jesus ao ser interpelado por um mestre da lei que o questiona sobre como deve fazer para herdar a vida eterna leva-o a reconhecer que não basta apenas saber de cor a lei, mas que à vontade de Deus deve ser concretizada no chão da vida concreta. Logo, o amor para se fazer visível deve ser traduzido em ações que nos tornam próximos uns dos outros.
Entretanto, falta aos doutores da lei e tantos cristãos/as hoje a sensibilidade para a prática do amor que se traduz em misericórdia, assim como fez o samaritano. A parábola do “bom samaritano” é própria de Lucas e apresenta um caso típico para prática da misericórdia. A pessoa que caiu nas mãos dos assaltantes encontra-se à beira da morte. Passa um sacerdote, preocupado com o culto e com o risco de se contaminar, passa adiante, pelo outro lado. A mesma coisa faz outro homem religioso, o levita, porque sua preocupação está em saber “quem é o meu próximo” e não em saber aproximar-se a fim de ser próximo de quem passa necessidade. Por último passa um samaritano, um impuro, um inimigo, membro de um povo marginalizado e ridicularizado pelos judeus através de seu código da lei, ele consegue perceber que antes de tudo é preciso prestar um serviço de amor (Cf. vv. 31-33). Por isso, age simplesmente a partir do que sente e do que vive. Compadece, pois, sente na pele a dureza de ser marginalizado. Ele “teve compaixão”, gesto eminentemente divino, que se traduz na solidariedade plena com os deserdados da vida. Na parábola contada por Jesus, vemos como a misericórdia, ou seja a paixão-com, se torna eficaz na medida que faz a vida renascer. E por isso mesmo, afirma aproximidade entre as pessoas. Pois próximo, confirma o mestre da lei ao final do Evangelho, é aquele que usou de misericórdia. Não foi no Templo, no culto ou nos ritos que o samaritano encontrou Deus, mas no inimigo à beira da morte. Sua atitude nos revela a lei que deve estar gravada no coração, ou seja, a lei da vida, como nos convida a primeira leitura tirada do livro do Deuteronômio.
Moisés ao convocar o povo para cumprimento da lei de Deus insiste que esta não se pode encontrar fora das pessoas, fora da vida “Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir” (V. 14). Portanto, qualquer lei só se torna justa e verdadeira à medida que promove a vida e, nela e por ela, se traduz a sua eficácia .
Neste sentido, nos diz Paulo através de sua Carta a comunidade de Colossenses, Deus se fez presente no meio de nós. Em Cristo, centro da revelação de Deus, temos a verdadeira imagem de Deus. E é unicamente com Ele e por Ele é conseguiremos herdar a vida eterna
Portanto, queridos irmãos e irmãs ao celebrarmos o mistério pascal, neste domingo, somos convidados a revermos os caminhos de nossa prática pastoral. Em que se apega as nossas opções? Nas doutrinas moralistas e legalistas ou nos apelos da vida e do coração? Por outro lado, sabemos que trilhar a proposta de Jesus é um processo que exige conversão e abertura para reconhecermos que sua presença no meio de nós nos convoca e nos envia para construirmos a verdadeira religião, aquela que se coloca ao lado dos que são privados de ter uma vida com dignidade: “vá e faça a mesma coisa”. E neste sentido, podermos sonhar e lutar para que o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, possa ser futuramente o lugar onde a vida se realize em abundância, não somente lugar preparado para sediar competições de campeonato Pan-americano ou outro, mas que seja campeão de não violência, e, que nossas crianças não morra por falta de alimentação, saúde ou educação. E assim, irmos no fazendo próximos daqueles que nos são colocados no caminho.

Tânia Regina da Silva

sábado, 7 de julho de 2007

XIV Domingo Comum (Pe Carlo)
Alguns chamaram este trecho de Lucas “manual para missionários” e, na verdade, poderia ter sido esta a regra que norteava os autênticos evangelizadores na Igreja primitiva. Sabemos muito bem quanto foi difícil para São Paulo opor-se e resistir a uma miríade de falsos missionários que, nas comunidades, afiguravam-se como portadores do verdadeiro Evangelho. Em muitos casos estes personagens apresentavam-se com a pretensa de “atualizar” o Evangelho, e ofereciam uma série de sofisticações que deveriam, em tese, aprofundar o Evangelho e aplicá-lo às várias situações histórico-culturais. Deste modo, a mensagem simples e profunda da palavra de Jesus era colocada em segundo plano respeito às “atualizações” da mesma Palavra. É como se a forma se tornasse mais importante que o conteúdo. Trata-se de uma grave e freqüente armadilha que ainda hoje desrama toda vez que perdemos o ponto de referência e o núcleo integral da Palavra que Jesus deixou. Quando isto acontece, outras coisas prevalecem sobre o singelo anúncio: ritos, práticas, costumes, sensações, misticismos, regras e assim por diante.
Toca-nos o sentimento de aflição misturado a uma profunda emoção com o qual Paulo vive o drama daquelas comunidades que corriam o risco de serem desviadas por causa de pessoas que, bem no fundo, anunciavam a si mesmas: «Ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja renegado. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja renegado. Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.» (Gal. 1,8-10). Com angustia e ironia, Paulo chama de “superapóstolos” tais personagens que, bem no fundo, pregavam a si mesmos (Cfr. 2Cor. 10,12), e a eles responde: «Nós não pregamos a nós mesmos, mas Cristo Jesus, Senhor» (2Cor. 4,5).
Servir a Cristo ou servir a si mesmos? Qual o limite entre as duas coisas? Até onde a pregação do Evangelho é “livre” de outros interesses pessoais? Quando nossas palavras cessam de manifestar o conteúdo que Jesus deixou em herança e quando começam a manifestar a nossa, privada, visão do mundo?

Duas palavras abrem o nosso trecho do Evangelho: «discípulos» e «enviou». Diríamos nós, “discípulos e missionários”. Estas duas palavras dão o tom de leitura para todo o resto do trecho o qual, detalhadamente, indicará uma a uma as características própria que fornecem um cuidadoso ponto de referência para um bom exame de consciência, que todos deveríamos fazer cada vez que nos colocamos em relação ao anúncio da Palavra. Vejamos de percorrer o texto com um pouco de cuidado.

Toca a nossa atenção o uso do verbo “designar”. Jesus «designou» discípulos; o que é diferente do verbo “chamar”, este segundo é usado para os Apóstolos (em Mc. 3, quando da constituição dos “Doze”, o Evangelista usa o verbo epoihsen que significa “fazer deles” e não, como alguns traduzem: “designou”). Jesus «designou» discípulos; trata-se, então de pessoas que têm uma relação direta com Jesus -pois foi Ele quem os “designou”- mas não igual à dos Apóstolos. O verbo “designar” é usado por Lucas em ocasião da substituição de Judas Iscariotes por Matias (At.1,24); ali também, quem indicou o substituto é o Senhor, Ressuscitado e vivo na comunidade de fé. Matias, então não é “chamado”, mas sim “designado”. Pois bem, o verbo serve para indicar exatamente qual é a relação com a qual estes discípulos se colocam com Jesus. O verbo (anadeiknumi) indica que alguém é deputado a cumprir uma missão, uma missão onde tudo está já pronto; à pessoa indicada cabe levar a termo -cumprir- aquilo que outro dispôs com antecedência. Em suma: colher os frutos. Percebe-se imediatamente a diferença entre “missionariedade” e “proselitismo”. A primeira é um “colher os frutos” daquilo que Jesus opera ao ser anunciado, o segundo é um ato de recrutar pessoas instigando seus sentimentos. A primeira é um mandato de Jesus, o segundo é cobiça humana. As palavras que seguem em nosso texto reforçam esta visão já que o Senhor recorda que a colheita é do seu Dono: «rogai dono da messe par que envie mais operários para a sua colheita». O próprio anuncio de Jesus gera seu resultado, assim os discípulos são contemporaneamente designados para lançar a Palavra e colher frutos. O profeta Amós vê nesta contemporaneidade um sinal próprio da ação de Deus que opera livremente no homem que O acolhe. Com estas palavras: «...ao que lavra segue logo o que ceifa» (Am. 9,13) o Profeta sugere que a ação vivificadora de Deus é superabundante e tão eficaz a ponto de que até o tempo que naturalmente precisaria para o amadurecimento da colheita é aniquilado.

Anunciar Jesus com autenticidade provoca uma resposta imediata porque é a força do próprio anuncio que responde às exigências mais profundas da pessoa humana. É o Senhor que, na pessoa do discípulo, vai ao encontro dos mais profundos dramas da pessoa humana.
Ser designado para anunciar a Jesus é um dom. Dom que nasce do coração de Jesus. É um partilhar a sua felicidade de quem encontra em Jesus o que estava procurando. Ser discípulo designado para a missão é colher humildemente o que outro fez e semear para outro colher. Nunca querer semear e pretender colher por si! Com profunda e experiente espiritualidade Paulo recorda a qualquer homem da Palavra a humildade que deve acompanhar o sentido autêntico de missão: «Nem aquele que semeia, nem aquele que rega é alguma coisa, mas é Deus quem faz crescer» (1Cor. 3,7).
A leitura do trecho nos sugere ainda algumas perguntas; como e o quê anunciar?

É sugestivo o fato de que o Autor, que é o mesmo de Atos dos Apóstolos, neste último escrito associe a palavra “discípulo” à expressão «caminho do Senhor» (At. 18,25). Ora, com isto era costume indicar todo o processo pelo qual o homem, inserido numa profunda comunhão com Cristo através de uma comunidade de fé onde o Senhor está vivo e age, é progressivamente associado ao próprio Senhor, tornando-se ele mesmo uma «criatura nova» à imagem do Senhor. Pois bem, o discípulo é, deste modo, aquele que percorre por primeiro o “caminho do Senhor”, que o antecipa em sua vida para que possa ser oferecido a outras pessoas com credibilidade e autenticidade. Missionário e discípulo são, então, dois conceitos profundamente associados por uma única, profunda, transbordante experiência de Cristo a qual se transmite por si própria uma vez que o discípulo a traz sempre consigo de modo a se fundir com seu próprio ser. Nenhum anúncio pode se limitar em transmitir palavras, explicar conceitos –mesmo que da melhor maneira possível-; não pode sequer embasar-se sobre emoções transitórias ou incitamento psicológico. É um transmitir com credibilidade aquilo que vivifica a alma do discípulo. Não é um esforço para convencer alguém pois, de fato, ninguém de nós possui o poder de modificar o coração de outra pessoa; um esforço é sempre um esforço, que parte de nós mesmos. Ser discípulo e missionário é permitir um irradiar-se da pessoa de Jesus através da nossa pessoa à maneira que Paulo descrevia aos cristãos: «Não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim!» (Gal. 2,20). É um iluminar com a luz que brilha pela alegria daquele que fez do Senhor o centro de sua vida.

A este ponto, é fácil entender também as características próprias do anuncio, descritas muito detalhadamente e com um rico significado quanto a cada uma (o que, agora, não tem como parar para considerar). Em todas elas evidencia-se um mesmo principio: a sobriedade, a essencialidade. É um característica essencial para poder reconhecer o verdadeiro anuncio distinguindo-o de outros –mesquinhos- interesses aos quais este pode ser associado. Quando há essencialidade, significa que o coração do discípulo-missionário já possui o seu tesouro, não precisa de aprovação pública ou reconhecimento, não precisa de seguranças que lhe provenham de qualquer fonte. Basta-lhe aquilo que já possui dentro. E este tesouro é tão grande que transborda e se espalha, assim como a luz do Sol que alcança cada canto recôndito, por força própria, sem invadir, com a delicadeza própria do nosso Deus.

Pe. Carlo

quinta-feira, 5 de julho de 2007

DOMINGO 14 del Tiempo Ordinario - Ciclo "C"

En la Primera Lectura del Profeta Isaías (Is. 66, 10-14) se nos habla de la confianza en Dios y se nos da una imagen muy dulce, pero a la vez muy concreta y expresiva de cómo debe ser esa confianza. Así se nos describe esa imagen: “Como un hijo a quien su madre consuela, así os consolaré Yo. Como niños serán llevados en el regazo y acariciados sobre sus rodillas”.
Así debe ser nuestra confianza en Dios: como un niño en los brazos de su madre, que sabe que todo lo tiene, pues la madre sabe todo lo que necesita su niño.
Esta Lectura basa la confianza en Dios en su Poder, al concluir así: “Y los siervos del Señor conocerán su Poder”.
En el Salmo de hoy oramos alabando el poder de Dios y la confianza que hemos de tener en El, cuando hemos dicho: “Admiremos las obras del Señor, los prodigios que ha hecho por los hombres”. Y también cuando hemos repetido: “Las obras del Señor son admirables”. Este Salmo recuerda dos portentos que Dios hizo para el pueblo de Israel, mostrándoles su poder sobre la naturaleza: el paso del Mar Rojo (cf. Ex. 14) y el paso del Jordán (cf. Jos. 3).
En la Segunda Lectura (Gal. 6, 14-18), San Pablo nos hace saber que ya el mundo no tiene ningún valor para él, que el mundo y lo que éste significa están muertos para él. “El mundo está crucificado para mí y yo para el mundo”.
Y nos trae esta Lectura la famosa frase del Apóstol: “No permita Dios que yo me gloríe en algo que no sea la cruz de nuestro Señor Jesucristo”. Aceptación de la cruz, del sufrimiento, y morir a lo que el mundo nos vende (cosas que nos parecen tan importantes y tan necesarias). El seguidor de Cristo tiene que vivir como lo indica San Pablo. No puede vivir de otra manera.
En el Evangelio (Lc. 10, 1-20) hemos escuchado el relato del envío de los 72 discípulos. Y pareciera que este texto evangélico no tuviera mucha relación con las Lecturas anteriores. Sin embargo, la forma en que Jesús envía a los 72, requiere de sus discípulos una confianza absoluta en el poder de Dios.
Como “corderos en medio de lobos”, mandó Jesús a los primeros discípulos, 72 en total y en parejas de dos en dos, advirtiéndoles que la cosecha era grande y los trabajadores pocos. Los mandó por delante de El “a los pueblos y lugares a donde pensaba ir”.
La frase de los corderos y los lobos ciertamente asusta. Sin embargo, todos fueron, todos respondieron.
Hoy el Señor nos repite este mandato a todos nosotros que hemos de realizar la “Nueva Evangelización” a la cual nos llamó Juan Pablo II.
Al decirle a sus discípulos que los envía “como corderos en medio de lobos”, parece anunciarles peligros serios. Podemos pensar qué puede suceder cuando algunos pobres corderitos se encuentran ante una manada de lobos feroces. La imagen es fuerte. Pero sucede que los corderos, sus 72 discípulos, deben confiar no en su propia fuerza, sino en el poder de Dios.
Esto es tan así, que además les da instrucciones muy precisas de que no lleven ni dinero, ni morral, ni sandalias. O sea, los envía también aparentemente desprovistos de todo lo necesario desde el punto de vista humano.
¿Y qué les sucedió? ¿Qué relatan los discípulos al regresar de la misión? Estaban ¡impresionados! de lo que había sucedido. “Llenos de alegría” -nos dice el Evangelio- contaron a Jesús: “Señor, ¡hasta los demonios se nos someten en tu nombre!”. Es decir, el lobo y los lobos, se sometieron a los corderos.
Y ¿qué significa esto? Significa que, confiando en el poder de Dios, obedeciendo las instrucciones de Jesús, que es Dios-hecho-hombre, Dios pudo realizar prodigios a través de esos “corderitos”, a pesar de los “lobos”.
Pero luego el Señor les advierte: ¡Cuidado! No se entusiasmen mucho con este poder, que no es de Uds., sino de Dios.
Y es que el apóstol siempre tiene la tentación de creer que el trabajo de evangelizar, el trabajo de convertir almas, el trabajo de llevar la Palabra de Dios a los demás, es obra de él mismo o es logro de él mismo, olvidándose de que es sólo instrumento de Dios, pues es Dios mismo quien actúa en él y a través de él, para hacer su labor en medio del mundo.
Ser instrumento de Dios es ser como una trompeta por la cual pasa el aire. Quien sopla el aire y quien hace la melodía es Dios; no nosotros mismos. ¡Nosotros somos solamente trompetas! Nosotros somos instrumentos.
Los que deseamos responder al llamado a evangelizar, debemos tener esto siempre en cuenta: Evangelizar no es proyectarnos nosotros mismos. No es soplar la trompeta nosotros. Es dejar que sea Dios quien lo haga. Evangelizar no es ni siquiera llevar nosotros al Señor: es sobre todo llevar al Señor en nosotros.
Entonces: para ser verdaderos instrumentos, debemos llevar al Señor en nosotros y que así el Señor llegue a los demás. De allí que –primero que nada- debemos llenarnos de El. ¿Y cómo nos llenamos de El? En la oración, en la oración frecuente y constante. En los Sacramentos, en la recepción de los Sacramentos también frecuente y constante.
La oración y los Sacramentos nos van haciendo instrumentos dóciles en las manos del Señor, para que El sople su melodía a través nuestro y dejemos nosotros de tocar nuestra propia melodía.
Los discípulos regresaron de su misión “llenos de alegría”. Lo que más les entusiasmó era que los demonios se les sometían al nombre de Jesús.
El Señor les aclara: Es cierto que les di poder “para vencer toda la fuerza del enemigo y nada les podrá hacer daño. Pero no se alegren de que los demonios se les someten. Alégrense, más bien, de que sus nombres están escritos en el Cielo”.
Es decir, lo importante no es el triunfo en la evangelización –aunque puedan haber éxitos visibles y comprobables, los cuales –recordemos siempre- no son nuestros, sino de Dios. Lo verdaderamente importante es nuestra salvación, que también es obra de Dios y El la realiza si nosotros aprovechamos todas las gracias que nos da para ello a lo largo de nuestra vida.
Así como a los 72, Jesús nos envía hoy a nosotros, a todos los que queramos seguirle. Ese envío está incluido en esas gracias de salvación que nos da constantemente. Nos envía, y nos equipa. Y nos instruye. Y nos dice qué hacer y qué decir. Y debemos alegrarnos, no porque los demonios puedan sometérsenos, sino porque nuestros nombres están escritos en el Cielo.
Y ¿qué significa que nuestros nombres están escritos en el Cielo? Significa que Dios quiere que todos los seres humanos nos salvemos, llegando al conocimiento de la Verdad (cf. 1 Tim.2, 4). Significa que nuestro camino de santidad está trazado.
Y ese camino de santidad que nos lleva al Cielo es claro para el cristiano: amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a uno mismo.
Amar a Dios sobre todas las cosas es la dimensión vertical de nuestra vocación a la santidad. Y amar al prójimo es la dimensión horizontal de la santidad. Ambas líneas forman la cruz del cristiano. No hay la una sin la otra. Y si alguna va primero es el amor a Dios ... o mejor dicho: el Amor de Dios.
Sí. Porque nadie puede amar por sí mismo, pues el amor consiste en que Dios nos ama y con ese amor con que El nos ama, le amamos a El, y ese amor de Dios en nosotros necesariamente se desborda hacia los demás. Dicho en otras palabras: el Amor viene de Dios (cf. 1 Jn.4, 7-8 y 10). Es decir: no podemos amar por nosotros mismos, sino que Dios nos capacita para amar. Es más: es Dios Quien ama a través de nosotros.
Ahora bien, amar es servir. Amar es dar-se. Dar-se no es lo mismo que dar. Amar es dar uno de sí. Dar, sin dar-se, puede ser altruismo o mera filantropía. Pero no es el amor-caridad que viene de Dios amando en nosotros: nosotros amándole a El y El amando a través nuestro.
Amar sirviendo significa poner lo que tenemos -dinero, talento, tiempo, habilidades, capacidades, energías, posesiones, gracias, - todo, al servicio de Dios que es nuestro dueño y dueño de “nuestras” cosas ... porque todo nos viene de El. Pero ¡con qué frecuencia olvidamos esta realidad! ¡Con qué frecuencia nos creemos nosotros los dueños!
Y todo eso que tenemos y que en realidad no es nuestro sino de Dios, debe ser usado -es cierto- para nuestra salvación eterna. Todo debe ser usado teniendo en cuenta nuestra vocación de santidad, teniendo en cuenta de que la tierra no es la meta y de que vamos camino al Cielo, teniendo en cuenta que nuestros nombres están escritos en el Cielo.
Pero no basta sólo nuestra propia salvación, sino que todo debe estar también al servicio de Dios y de los demás. Lo que somos y tenemos debe servir también para el bienestar temporal y eterno de otros.
Todo esto está bien resumido en las llamadas “Obras de misericordia: espirituales y corporales”, obligación de todo cristiano:
Dar de comer al hambriento y de beber al sediento. Dar posada al peregrino. Vestir al desnudo. Atender al enfermo. Visitar al preso. Enterrar al muerto. Enseñar al que no sabe. Dar buen consejo al que lo necesita. Corregir al equivocado. Perdonar las ofensas. Consolar al triste. Tolerar pacientemente los defectos del prójimo. Orar a Dios por vivos y difuntos.
Buen programa de acción. No para hacer todo uno solo. No para hacerlo todo a la vez. Más bien para poner a disposición todo lo que Dios nos ha dado para servir cuando se presente el momento ... sin excusas, sin remilgos, sin negarnos, sin hacernos esperar, sin miedo, sin egoísmo.
Cierto que los que deseamos responder al llamado a evangelizar no podemos quedarnos con la preparación incipiente que recibimos al hacer la Primera Comunión. Pero no es indispensable tener títulos en Teología para evangelizar. Debemos, sí, que prepararnos un poquito cada día, leyendo la Sagrada Escritura, el Catecismo de la Iglesia Católica, libros, revistas y sitios web de formación católica, etc., pues hay que estar preparados para defender la Verdad que es Cristo.
Bien lo dijo San Pedro desde el comienzo de la Iglesia: “Estén siempre dispuestos para dar una respuesta acertada al que les pregunta acerca de sus convicciones” (1 Pe. 3, 15).
Pero recordando siempre: No hay Evangelización, si no hay vida de Dios en nosotros. La Evangelización –aunque nos preparemos para ésta con los conocimientos adecuados- se basa en tener confianza en Dios, y no en confiar en nosotros mismos.
¡Cómo vamos a confiar en nosotros mismos si nos dice el Señor que vamos “como corderos en medio de lobos”!