quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dia de Finados (Pe Antonio Geraldo Dalla Costa)

O Dia de Finados, que hoje celebramos,
está impregnado de um profundo sentimento religioso
no qual se unem afeto e recordações familiares
com a fé e esperança cristãs.
Por esse motivo suscita sempre um profundo eco no povo de Deus.

É uma oportunidade especial para rezar pelos nossos mortos e
lembrar a alegre verdade sobre a qual está fundada a nossa fé:
a RESSURREIÇÃO.

1. Celebramos a vida, não a morte
A religião cristã não celebra o culto à morte, mas à vida.
Assim o ressalta a liturgia da palavra de hoje com suas muitas leituras.
Todo o conjunto nos fala de ressurreição e vida;
e a referência onipresente é a Ressurreição de Cristo,
da qual participa o cristão pela fé e pelos sacramentos.
- Por isso, este dia não é uma comemoração para a tristeza,
provocando saudade dos seres queridos que já nos deixaram,
mas uma recordação cheia de esperança que expressa e continua
a Comunhão dos Santos, que celebramos no dia de ontem.
Pois "a fé oferece a possibilidade de uma comunhão
com nossos queridos irmãos já falecidos, dando-nos a esperança
de que já possuem em Deus a vida verdadeira". (GS 18,2)

2. Lembramos nosso destino futuro:
A Visão cristã da morte dá o verdadeiro valor da vida humana.
O discípulo de Cristo identifica a vida futura na qual crê e espera,
com um ser vivo, pessoal e amigo que é o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo,
e de cuja vida participará agora e continuará gozando em seu destino futuro. Instruídos pela palavra de Deus, cremos que:
"O Homem foi criado por Deus para um fim feliz,
além dos limites da miséria terrestre...
Deus chamou e chama o homem para que ele dê sua adesão a Deus
na comunhão perpétua da incorruptível vida divina.
Cristo conseguiu esta vitória, por sua morte,
libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida.
Para qualquer homem que reflete, a fé lhe dá uma resposta
à sua angústia sobre a sorte futura". (GS 18,2)

+ Cristo é a Raiz da esperança cristã: Estaremos sempre com o Senhor.
Jesus é a razão última do nosso viver, morrer e esperar como cristão.
Uma vez que Ele se fez igual a nós em tudo,
passou também pelo transe da morte para alcançar a Vida perene.
Esse é o itinerário que o discípulo deve percorrer.

+ Cristo é vida e ressurreição para aquele que nele crê.
Tudo vem confirmar a afirmação do próprio Jesus momentos antes de realizar
a ressurreição de Lázaro, seu amigo:
"Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em mim, embora esteja morto, viverá; e aquele que está vivo e crê em mim, não morrerá para sempre". (Jo 11,25-26).
Assim, diante da morte de nossos entes queridos, não devemos pensar
numa perda irreparável, mas no destino esperançoso ao qual Deus nos chama: "Vou preparar-lhes um lugar, para que onde eu estiver,
estejam vocês também". (Jo 14,3).

As LEITURAS sugeridas para o dia de hoje são muitas e variadas.
Todas comunicam a alegria de quem recebe do alto a luz da Páscoa,
que ilumina cada sepultura. Fixemo-nos nessas três:

Na 1ª Leitura, o Profeta afirma que Deus criou o homem para a VIDA. (Is 25,6-9)

A morte será destruída para sempre. O profeta descreve a morte,
como a entrada numa festa preparada por Deus para todos os povos.
Na vinda do Messias toda situação de morte será transformada:
O Senhor "enxugará as lágrimas de todas as faces".
Existirá apenas alegria, felicidade. Será a festa, o Banquete do Reino.

Na 2ª Leitura, São Paulo, diante da incerteza de nossa salvação futura,
afirma que a nossa esperança não se baseia em nossas obras,
mas no amor incondicional de Deus, que nos amou e
entregou por nós seu Filho à morte, quando ainda éramos seus inimigos.
Quanto mais nos amará agora que fomos justificados. (Rm 11,25-30)

No Evangelho, Jesus nos convida a vigiar,
"pois não sabeis qual será o dia, nem a hora". (Mt 25,1-13)

A visita aos cemitérios não deve se reduzir em levar flores aos túmulos,
ou acender velas. Convém rezar pelos nossos mortos. É a melhor flor.
A Bíblia garante: "É santo e piedoso costume rezar pelos mortos" (2Mc 12,45)
Cemintério significa dormitório. É o lugar de repouso, de descanso.
Quem está sepultado ali, está como que dormindo,
aguardando o dia de se levantar, para ressuscitar.
Cemitério significa também hospedaria.
Hospedaria é um albergue à beira do caminho, onde o peregrino
passa algumas horas, ou uma noite, para depois continuar a viagem.
O Cemitério é a hospedaria onde ficamos por um espaço de tempo,
até o dia da Ressurreição.

Que o dia de hoje reforce a nossa esperança cristã e
nos leve a proclamar com firmeza o artigo de fé do Credo:
"Creio na ressurreição dos mortos e na vida que há de vir"

Dia de Finados

Para muitas pessoas, o dia de finados é uma data triste, que deveria ser excluída do calendário. Muitos, nesse dia, ficam deprimidos ao recordarem os seus entes queridos que partiram desta vida. Alguns isolam-se, outros viajam para esconder suas mágoas... Porém, poucos conseguem ver que o dia de finados deve ser um momento de reflexão acerca de como anda a nossa conversão. Deve ser um dia de "fecho para balanço", daqueles em que se pára tudo, totalizam-se os lucros e os prejuízos e promete-se e permite-se vida nova.Não podemos esquecer-nos de que um dia estaremos também partindo desta vida. Não podemos ignorar isso pois, como um ladrão na noite, como diz o Evangelho, esse dia chegará. Felizes aqueles que foram "apanhados" em oração, com os Sacramentos em dia.Muitas pessoas lamentam a "perda" de um pai ou uma mãe e esquecem-se de que eles fizeram apenas uma viagem distante e que estão esperando por nós. Partiram quando o Pai, transbordando de saudades, gritou: - Filho(a), há quanto tempo estás aí! Volta para casa! - e assim foi feito.Muitos, porém, desses que lamentam a perda de um ente querido, ao invés de serem verdadeiramente santos para, um dia, voltarem a encontrar-se com seus parentes e amigos que partiram desta vida, tomam um outro rumo, ora distanciando-se de Deus e da Sua Igreja ora vivendo uma fé morna, como diz Jesus.Não percebem que, ao fazer isso, desperdiçam a única oportunidade que têm de rever essas pessoas. É uma pena...Neste dia 2 de Novembro, que possamos verdadeiramente rever os nossos sonhos, a nossa vida, a nossa fé e, pela glória de Deus, mudar de rumo, se necessário for.

S. Braulio de Saragoça (cerca 590-651); bispoCarta 19

«Ao ver a viúva, o Senhor Jesus ... disse-lhe: 'Não chores'» (Lc 7,13)
Cristo, esperança de todos os crentes, chama aos que deixam este mundo não mortos mas adormecidos ao dizer: «Lázaro, o meu amigo, está a dormir» (Jo 11,11); o apóstolo Paulo, por seu turno, não quer que estejamos «tristes por causa dos que adormeceram» (1 Tes 4,13). Por isso, se a nossa fé afirma que «todos os que crêem» em Cristo, segundo a palavra do Evangelho, «não morrerão jamais» (Jo 11,16), nós sabemos que eles não estão morto e que nós próprios não morremos. É porque, «quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os que morreram em Cristo, ressurgirão» (1 Tes 4,16). Portanto, que a esperança da ressurreição nos encoraje, pois voltaremos a ver os que tínhamos perdido. Importa que acreditemos firmemente nele, quer dizer, que obedeçamos aos seus mandamentos, porque com o seu poder supremo ele acorda os mortos mais facilmente do que nós acordamos os que estão a dormir. Eis o que nós dizemos e, contudo, não sei por que sentimento, refugiamo-nos nas lágrimas, e o sentimento da lamúria dá um primeiro corte na nossa fé. Ai de nós! A condição do homem é lamentável, e como é vã a nossa vida sem Cristo! Mas tu, ó morte, que tens a crueldade de quebrar a união dos esposos e de separar os que estão unidos pela amizade, a tua força está desde já esmagada. De futuro, o teu jugo impiedoso é esmagado por aquele que te ameaçava pelas palavras do profeta Oseias: «Ó morte, eu serei a tua morte» (Os 13,14 Vulg). É por isso que, com o apóstolo Paulo, lançamos este desafio: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1 Cor 15,55). Aquele que te venceu resgatou-nos, entregou a sua querida alma nas mãos dos ímpios, para fazer deles os seus queridos.Seria muito longo relembrar tudo o que nas Santas Escrituras nos deveria consolar a todos. Que nos baste acreditar na ressurreição e erguer os nossos olhos para a glória do nosso Redentor, porque é nele que nós somos já ressuscitados, como a nossa fé nos faz pensar, segundo a palavra do apóstolo Paulo: «Se morremos por Ele, também com Ele reviveremos» (2 Tim 2,11).

Conmemoración de Todos los Fieles Difuntos

La festividad de los Fieles Difuntos nos invita a pensar en nuestra meta definitiva, después de concluir nuestra pasantía aquí en la tierra, meta de la cual nos habló Jesucristo durante la Ultima Cena, la noche antes de su muerte: “En la Casa de Mi Padre hay muchas mansiones, y voy a allá a prepararles un lugar ... para que donde Yo esté estéis también vosotros. Y a donde Yo voy, vosotros sabéis el Camino” (Jn.14 ,2-4).
Y ¿cuál es ese “Camino”? Es el camino de la Voluntad de Dios que nos lleva a ese Cielo prometido. Consiste en buscar la Voluntad de Dios para mí; es decir, en tratar de ser como Dios quiere que yo sea y hacer lo que Dios desea que yo haga, en preferir la Voluntad de Dios en vez de la propia voluntad, en decir “sí” a Dios y “no” a mí mismo.
Los fieles difuntos que recordamos este Domingo y también durante este mes de Noviembre, son aquellas personas que nos han precedido en el paso a la eternidad, y que aún no han llegado a la presencia de Dios en el Cielo.
Son almas que han sido fieles a Dios, pero que se encuentran en estado de “purificación” en el Purgatorio, en el cual están como “inactivos”; es decir, ya no pueden “merecer” por ellos mismos. Por esta razón, es costumbre en la Iglesia Católica orar por nuestros difuntos y ofrecer Misas por ellos, como forma de aliviarles el sufrimiento de su necesaria purificación antes de pasar al Cielo. (Ver Catecismo de la Iglesia Católica #1031-32 y 2Mac. 12,46)


Misa por los Difuntos
El recuerdo de nuestros seres queridos ya fallecidos nos invita también a reflexionar sobre lo que sucede después de la muerte; es decir, Juicio: Cielo, Purgatorio o Infierno.
Primero hay que recordar que la muerte es el más importante momento de la vida del ser humano: es precisamente el paso de esta vida temporal y finita a la vida eterna y definitiva. También hay que pensar que la muerte no es un momento desagradable, sino un paso a una vida distinta.
Bien dice el Prefacio de Difuntos: “la vida no termina, se transforma y al deshacerse nuestra morada terrenal adquirimos una mansión eterna”.
También hay que pensar que la muerte no es un momento desagradable, sino un paso a una vida distinta. Por tanto, no hay que temer la muerte. Y esta afirmación se basa, no sólo en la enseñanza de la Iglesia, sino en los múltiples testimonios de aquéllos que dicen haber pasado por el dintel de la muerte y haber regresado a esta vida.
Sabemos que fuimos creados para la eternidad, que nuestra vida sobre la tierra es pasajera y que Dios nos creó para que, conociéndolo, amándolo y sirviéndolo en esta vida, gozáramos de El, de su presencia y de su Amor Infinito en el Cielo, para toda la eternidad ... para siempre, siempre, siempre ...
De las opciones que tenemos para después de la muerte, el Purgatorio es la única que no es eterna. Las almas que llegan al Purgatorio están ya salvadas, permanecen allí el tiempo necesario para ser purificadas totalmente. La única opción posterior que tienen es la felicidad eterna en el Cielo.
El Purgatorio
Sin embargo, la purificación en el Purgatorio es “dolorosa”. La Biblia nos habla también de “fuego” al referirse a esta etapa de purificación: "la obra de cada uno vendrá a descubrirse. El día del Juicio la dará a conocer ... El fuego probará la obra de cada cual ... se salvará, pero como quien pasa por fuego” (1a. Cor. 3, 13-15).
Y nos dice el Catecismo de la Iglesia Católica: “Los que mueren en la gracia y amistad con Dios, pero imperfectamente purificados, aunque están seguros de su eterna salvación, sufren después de la muerte una purificación, a fin de obtener la santidad necesaria para entrar en la alegría del Cielo.” (#1030)
La purificación es necesaria para prepararnos a la “Visión Beatífica”, para poder ver a Dios “cara a cara”. Sin embargo, el paso por la purificación del Purgatorio ha sido obviado por algunos. Todos los santos -los canonizados y los anónimos- son ejemplos de esta posibilidad.
¡Es posible llegar al Cielo directamente! Y, además, es deseable obviar el Purgatorio, ya que no es un estado agradable, sino más bien de sufrimiento y dolor, que puede ser corto, pero que puede ser también muy largo.
Por eso es aconsejable aprovechar las posibilidades de purificación que se nos presentan a lo largo de nuestra vida terrena, pues el sufrimiento tiene valor redentor y efecto de purificación. Al respecto nos dice San Pedro, el primer Papa:
“Dios nos concedió una herencia que nos está reservada en los Cielos ... Por esto debéis estar alegres, aunque por un tiempo quizá sea necesario sufrir varias pruebas. Vuestra fe saldrá de ahí probada, como el oro que pasa por el fuego ... hasta el día de la Revelación de Cristo Jesús, en que alcanzaréis la meta de vuestra fe: la salvación de vuestras almas” (1a.Pe. 1, 3-9).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

29° Domingo do Tempo Comum (Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa)

O Cristão é um cidadão como todos os outros.
Para o cristão, quais devem ser as relações
entre as realidades de Deus e as realidades do mundo?
A Liturgia desse domingo nos aponta o lugar
que cabe a Deus e ao Mundo.

Na 1aLeitura, o Profeta nos lembra que Deus se serviu de um rei pagão
para libertar da Babilônia o seu povo. (Is 45,1.4-6)

Ciro, Rei da Pérsia, foi um excelente comandante e político iluminado. Conquistou todos os impérios do oriente, inclusive a Babilônia.
No ano 538, depois de conquistar a Babilônia,
permitiu os judeus voltarem à própria terra e
começarem a reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém.
O profeta chama o rei pagão de "ungido do Senhor".
Ciro torna-se instrumento de Deus, mesmo sem o conhecer,
sem mesmo ser membro do povo da Aliança.

* O profeta vê no acontecimento a mão de Deus
agindo na história do seu povo.
Deus pode se servir de qualquer pessoa para realizar seus projetos.
Pode se servir de dirigentes até sem religião, desde que sejam
competentes, honestos e saibam promover o bem-estar e a paz.
- O contrário também pode acontecer:
Nem toda pessoa "religiosa" e bem intencionada
tem a necessária competência para uma função pública.

Na 2ª Leitura, São Paulo louva o Senhor,
porque a Comunidade de Tessalônica abraçou com entusiasmo
o Evangelho, e pela ação do Espírito Santo,
deu frutos de fé, de amor e de esperança. (1Tes 1,1-5b)

No Evangelho, herodianos, favoráveis ao poder romano,
fazem uma pergunta capciosa:
"É permitido ou não pagar o TRIBUTO a César?" (Mt 22,34-40)

- Se dissesse SIM: apareceria como colaborador da dominação romana.
Se dissesse NÃO: seria denunciado às autoridades romanas como subversivo.
- Jesus percebe a armadilha e denuncia a maquinação:
Pede uma moeda e pergunta: "De quem é essa imagem?
à"Dai pois a César o que é de César..."
e acrescenta: "...e a Deus o que é de Deus"

+ "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus":
Dar significa aqui "devolver" a cada um o que lhe pertence.
Não deve dar a César o que não lhe pertence: a ADORAÇÃO,
devida unicamente a Deus (não aos imperadores...).
* Jesus manda que fosse dada a César uma pequena peça de metal,
que trazia impresso um perfil de homem: pouco menos que nada...
Ao contrário, a Deus é preciso dar toda a alma, feita à imagem do Criador,
que traz impressa a imagem do Homem-Deus e vale infinitamente mais
do que todas as moedas cunhadas pelo Estado.

+ Um Perigo: Tirar o lugar de Deus.
O dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social,
o clube de futebol… podem tomar o lugar de Deus e
passar a dirigir e a condicionar a vida de muitas pessoas.
No entanto, essa troca quase sempre traz apenas escravidão,
alienação, frustração e sentimentos de solidão e de orfandade…

* Nosso Deus é de fato o "Senhor" a quem servimos em nossa Vida?

+ Jesus nos lembra:
- "Dar a César..." (a imagem de César)
O Cristão tem obrigações com a Sociedade em que vive.
Nenhum país funciona se a população não der a César o que é de César...
O cristão autêntico deverá ser um membro ativo do seu país.
Deverá não só pagar os impostos, respeitar as leis justas e
evitar os esquemas de corrupção,
mas também procurar participar da vida de seu país em todos os seus aspectos
e lutar por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

- "Dar a Deus" (o homem é "imagem" de Deus)
Por isso, seus direitos e sua dignidade devem ser respeitados por todos.
É um grande crime contra Deus destruir ou menosprezar
a imagem de Deus que existe em qualquer pessoa.

- Dar à Comunidade cristã o que é nossa obrigação:

- Participar na Vida e Ação evangelizadora e missionária da Igreja...
No mês missionário desse ano ela nos lembra,
que somos responsáveis para que haja "VIDA para todos os Povos".
E o Papa manifesta o desejo de que
o "Dia mundial das missões encoraje a todos a tomar consciência
da urgente necessidade de anunciar o Evangelho".

- Colaborar pela sua manutenção, pelo Dízimo...
A Bíblia fala e condena os que "sonegam" o tributo do templo...
Será que ainda hoje existem estes sonegadores?
+ Estamos, de fato, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?

Se todos o fizerem, poderemos confiar num mundo mais justo e fraterno.

DOMINGO 29 del Tiempo Ordinario

Las Lecturas de este Domingo tratan un asunto importante para el buen desenvolvimiento de la vida de los pueblos, de los gobiernos y de los gobernados.
El Evangelio de hoy toca un asunto político-religioso: la autoridad civil y la autoridad divina. Se trata del episodio en el cual los Fariseos, pretendiendo nuevamente poner a Jesús contra la pared, le preguntaron si era lícito pagarle impuestos a Roma.
Si decía que no -pensaron ellos- podría ser interpretado como desobediencia a la autoridad civil, en manos de los Romanos que tenían ocupado el territorio de Israel. Si contestaba que sí, podría interpretarse como una limitación de la autoridad de Dios sobre el pueblo escogido. La respuesta de Jesús fue clara y sin caer en la trampa: “Dad al César lo que es del César y a Dios lo que es de Dios” (Mt. 22, 15-21).
Así que Jesús no estaba contra la pared. Con esta hábil respuesta -como muchas otras del Señor ante la insidia de los Fariseos- Jesús deja claramente establecido que la autoridad política tiene su campo propio de acción, relacionado con el orden público y el bien de todos los gobernados, y que cuando requiere la obediencia y la contribución o tributo, hay que cumplirle.
Pero también deja claro que el respeto y el tributo no sólo se le debe a la autoridad civil, sino que principalmente debemos darle a Dios lo que es de El y a El corresponde.
¿Qué significa esto? Significa varias cosas.
1.) En primer lugar debemos saber que toda autoridad temporal viene de Dios. Recordemos lo que Jesús, más tarde, le dijo a Pilatos, el gobernador romano, en el momento del juicio que éste le hizo: “Tú no tendrías ningún poder sobre mí, si no lo hubieras recibido de lo Alto” (Jn. 18, 11).
Si la autoridad civil viene de Dios, también depende de El. Esto tiene como consecuencia que un gobierno puede llegar a ser injusto si, por ejemplo, se opone al orden divino, a la Ley de Dios; si exige algo que vaya contra la ley natural establecida por Dios, si va en contra de la dignidad humana, contra la libertad religiosa, etc.
En casos como éstos se aplica lo que vemos contestar a los Apóstoles cuando la autoridad civil les prohibe predicar en nombre de Jesús, o sea, cuando les prohibe realizar la tarea que Dios les había encomendado.
Si la autoridad divina está por encima de la autoridad civil, es claro por qué ellos desobedecen y al serle reclamada su desobediencia, ellos responden: “Hay que obedecer a Dios antes que a los hombres” (Hech. 5, 27-29).
Es decir, cuando entra en conflicto la obediencia a Dios con la obediencia al poder civil, hay que tener en cuenta que toda autoridad temporal tiene su origen en Dios y que la autoridad divina está por encima de la autoridad humana.
2.) En segundo lugar, debemos tener claro que Dios es el Señor de la historia y todo lo ordena El para la salvación de la humanidad y de cada ser humano en particular.
Hasta las leyes de la Roma pagana y sus gobernantes sirvieron para que se llevaran a cabo los designios de Dios, tanto para el nacimiento como para la pasión y muerte de Jesús, el Salvador del mundo: el edicto de empadronamiento de los judíos, ordenado por el Emperador romano, obligó a San José y la Virgen a ir a Belén, donde nacería el Salvador del mundo (cfr. Lc. 2, 1-5) anunciado desde antes por el Profeta Miqueas (cfr. Mt. 2, 4-5 y Miq 5, 2). Con el juicio de Pilato a Jesús (cfr. Jn. 19, 14-16) se cumplió la redención del género humano.
Nada escapa, entonces, a los designios divinos, bien sea porque Dios lo causa o bien porque lo permite. Los mismos gobernantes -sean buenos o malos, sean convenientes o inconvenientes, sean tolerantes o intolerantes, sean lícitos o ilícitos, sean tiranos o magnánimos- aunque no lo sepan o no lo quieran reconocer, aunque no se den cuenta sus gobernados, son instrumentos de Dios para que se realicen los planes que El tiene señalados para trazar la historia de la salvación de la humanidad.
Si revisamos la historia de la salvación que encontramos en la Sagrada Escritura, podemos ver cómo Dios va realizado su plan de salvación en el pueblo escogido. A veces éste se ve librado por Dios por un conjunto de circunstancias que pueden llegar a considerarse un milagro, enviándoles, por ejemplo, un jefe que los lleva a la victoria, o a veces, por el contrario, permitiendo que el pueblo fuese o derrotado o desterrado o dividido.
En todas las circunstancias está la mano poderosa de Dios, porque “Dios dispone todas las cosas para el bien de los que lo aman” (Rom. 8, 28). En esto consiste la Historia de la Salvación, realizada por Dios, en la que utiliza a los seres humanos como instrumentos para realizar sus planes, porque Dios es el Señor de la historia ... nadie más.
Veamos, por ejemplo, lo que ocurrió al pueblo de Israel en una época de su historia:
931 años antes de la venida de Cristo, se dividieron las doce tribus y se constituyeron en dos reinos, el Reino del Norte y el Reino del Sur (cfr. 1 Re. 12, 1-32).
Luego en el año 722 antes de Cristo, cae el Reino el Norte en manos de Asiria (cfr. 2 Re. 17, 5-6 / 18, 9-12).
Y en el año 587 antes de Cristo cae también el Reino del Sur, quedando Jerusalén con su Templo destruido y sus habitantes desterrados a Babilonia (2 Re. 24, 10-17).
Y todo esto, por más adverso que pareciera para el pueblo escogido, lo permitió Dios, el Señor de la historia.
La Primera Lectura (Is. 45, 1.4-6) de hoy nos muestra la escogencia que el mismo Dios hace de un Rey pagano, Ciro, a quien convierte en el liberador del pueblo de Israel. Ciro, Rey del Imperio Persa, al conquistar Babilonia en el año 538 antes de Cristo, da la libertad a los judíos para que regresen a su tierra y autoriza la reconstrucción del Templo de Jerusalén (cfr. Es. 1).
Sin saberlo, Ciro colaboró con Dios para que todos vieran su gloria y a El se le rindiera culto nuevamente en el Templo de Jerusalén. Así nos dice la Sagrada Escritura sobre la elección de Ciro por parte de Dios para ser su instrumento: “Te llamé por tu nombre y te di un título de honor, aunque tú no me conocieras ... Te hago poderoso, aunque tú no me conoces, para que todos sepan que no hay otro Dios fuera de Mí. Yo soy el Señor y no hay otro” (Is. 45, 1-6).
En el comienzo de la historia de la Iglesia vemos cómo las persecuciones a los cristianos por parte de los romanos, sirvieron para la difusión del Evangelio de Jesucristo. Siempre se ha dicho que la sangre de los mártires es multiplicadora de semillas de nuevos cristianos. Y así fue y sigue siendo. Dios, de un aparente mal, como es la muerte de cristianos inocentes, saca un bien. Así sigue Dios escribiendo la historia de la salvación.
Más recientemente en nuestro siglo, vemos cómo los regímenes marxistas que habían intentado apagar la fe en Dios, no lo lograron del todo. La fe del pueblo se mantuvo viva y, cuando parecía que estaba apagada, fue como un fuego que vuelve a encenderse a partir de las cenizas.
Todo lo ordena Dios para sus fines. La historia de cada ser humano en particular y de los pueblos está en manos de Dios. Por encima de todo gobierno humano está el gobierno de Dios. Y todo lo ordena Dios, origen de toda autoridad humana y Señor de la historia, para realizar la historia de la salvación de cada ser humano en particular y de toda la humanidad.
Volviendo sobre la moneda y la imagen en la moneda: en nuestro Bautismo hemos sido sellados con el sello de Cristo. ¿De quién es, entonces, la imagen que llevamos nosotros? Hemos sido hechos a imagen y semejanza de Dios, y con el Bautismo hemos sido hechos hijos de Dios. Entonces, hay que dar al César lo que es del César, pero más importante aún es dar a Dios lo que es de Dios.

29º Domingo do Tempo Comum

Como os anteriores, também o texto que hoje a liturgia nos oferece, está inserido teologicamente dentro de um contexto escatológico. Na última semana de Jesus em Jerusalém (período em que é ambientado o episódio) o Evangelista vê os eventos finais da história, vê as atitudes definitivas do homem e o desvelamento da verdade. Na medida em que se aproximam os eventos finais, também se torna mais agudo e evidente o conflito entre a verdade e a mentira, entre Jesus e o maligno. Sempre mais a verdade se mostra por aquilo que é, e o mal se revela por aquilo que é. Na resposta de Jesus aos discípulos dos fariseus e dos herodianos: «Por que me preparais uma armadilha?», encontramos a mesma expressão com a qual o Espírito dá início ao conflito entre o Reino de Deus e o reino do demônio, de fato o verbo “periazw” (preparar uma armadilha) é usado propriamente em relação ao demônio, por exemplo, quando das tentações no deserto (Mt. 4,1). É também usado no Antigo Testamento para indicar os inimigos de Deus enquanto tocaiam o homem amigo de Deus (“o justo”). A armadilha é propriamente uma traição, algo que se mostra de um determinado modo agradável, mas esconde um perigo para a vida. É o «laço do caçador» (Sal. 124,7). É uma característica própria do mal e do maligno mostrar um aspecto e ocultar o outro; é a meia-verdade, pior do que a mentira. Nunca o mal se apresenta como mal, ao contrário (!); desde as primeiras páginas do Gênese a serpente se faz conhecer como “alguém que quer o bem” de Eva e de Adão, o bem do homem. A serpente quer a “emancipação” do poder de Deus para que o homem seja como Deus. Ela faz isto com uma estratégia aqui muito bem identificada: a hipocrisia. A verdade e a hipocrisia conflitam sobre o mesmo terreno que é o coração do homem, o lugar onde este decide “quem” colocar no trono que pertence a Deus.
É nesta ótica que o trecho do Evangelho nos oferece um caminho de reflexão, que nos aprontamos a percorrer para nos perguntar, com Mateus, “quem” colocamos no trono do nosso coração, a “quem” escolhemos servir.
As primeiras palavras do texto nos dão desde o início o clímax no qual se verifica a situação: imediatamente aparece a não-verdade, fariseus e herodianos, inimigos entre si, estão de acordo, contra Jesus. Uma típica característica do mal: duas pessoas más só se unem se for “contra” alguém. Cada uma por interesse próprio. Fariseus e herodianos não tinham a coragem de enfrentar diretamente Jesus; embora tivessem decidido matar Jesus, tinham medo da multidão a qual -como nos diz o trecho paralelo de Marcos- “considerava Jesus um profeta” (Mc. 12,12). A não-verdade não se apresenta, escolhe atalhos, vias transversas; escolhe “discípulos” os quais poderiam, em caso de necessidade, ser dados como culpados de errônea interpretação, de iniciativa pessoal... enfim, o homem mau deseja sempre se sair de mãos limpas, a culpa recai sempre sobre outro. Não foi assim com Adão? «A serpente me enganou... A mulher que “você” me deu... »; culpado é sempre outro, e quando não há mais ninguém para culpar, então o culpado é Deus (“você me deu...”).
A máscara da mentira se esconde sempre atrás de uma linguagem lisonjeira, não há meio maior de atrair uma pessoa numa armadilha do que solicitar o amor-próprio, o comprazi mento de que somos bem considerados: «... Sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus». Um mínimo de orgulho já é o suficiente para cair numa cilada do maligno, mas Jesus não procura o pláuso das pessoas e isto lhe permite ver o mundo a partir da ótica do Pai. Guardar em nosso coração, com zelo e atenção o lugar que pertence a Deus, nos permitirá sempre ver as coisas por aquilo que estas são; resguardará-nos sempre das meias-verdades que se insinuam lenta e constantemente.
A armadilha era tão bem preparada que, teoricamente não teria saída. Creio que algumas informações possam ser úteis para compreendermos o fato e a reação de Jesus. Quando Roma conquistava um território exigia um juramento de fidelidade ao Imperador, que se oferecesse um sacrifício para ele e que se pagassem os impostos; fora isto a intervenção romana aconteceria somente em caso de motim. As moedas de prata ou de ouro eram forjadas exclusivamente em Roma (as de cobre podiam ser forjadas em todo o Império) e traziam a efígie do Imperador; a moeda era o símbolo da extensão das terras que pertenciam ao Império como uma só coisa. Pagar o “tributo” significava, simbolicamente, reconhecer a soberania do Império sobre as terras; era bem mais do que uma das várias taxas que serviam para as despesas administrativas. Ora, se Jesus tivesse afirmado que era necessário pagar o tributo estaria contradizendo toda a Escritura, segundo a qual o território de Israel era a herança que Jahvé deixava como propriedade a Israel. E mais, pagar o tributo significaria cometer o mesmo pecado de Davi quando quis fazer o recenseamento (2Sam. 24), gesto este que manifestava o desejo de Davi de controlar Israel, fazer-se “dono” de um povo que pertencia exclusivamente a Deus. E ainda mais: em todas as “tefillah” (orações) que se rezavam no Templo ou em casa, existia a expressão: “Jahvé é o Senhor de Israel”; legitimar o tributo significaria então, reconhecer que uma Autoridade humana pode tomar o lugar que pertence a Deus. Legitimar o tributo desagradaria aos fariseus e zelotes e agradaria aos herodianos, os quais tinham benefícios vindos da administração romana. Por outro lado, se Jesus tivesse proclamado ilegítimo o tributo, estaria no mesmo instante declarando-se líder de uma revolta (como fizera Judas o Galileu em torno do ano 6 dC., o que ocasionou a dura repressão romana), agradando os zelotes e fariseus que esperavam somente um gesto do “Messias” para iniciar mais uma revolta.
Como Jesus se coloca? Realmente nos deixa admirados a perspicácia de Jesus. Em primeiro lugar manifestou a eles mesmos a hipocrisia com a qual agiam: pediu uma moeda e, engaçado, eles tinham no bolso uma moeda! Ora, é útil saber que simplesmente tocar uma moeda em cuja face estava escrito “dominus ac deus noster” junto dom a efígie do Imperador (“Nosso senhor e nosso deus”, título que o imperador Domiciano adotou, mas que já se encontra alhures) colocava o judeu em estado de impureza ritual, era algo realmente repugnante... mas, eles tinham no bolso.
A resposta de Jesus atinge o centro da questão, não fatores marginais como aceitar ou não um sistema invés que outro. Nenhuma pressuposta “revolução” é capaz de colocar o homem no lugar que lhe cabe, uma revolução somente substitui o sistema, como já vimos pela nossa história. Todo sistema traz em si e cria “estruturas de pecado” (como escrevia João Paulo II –Solicitudo Rei Socialis, 36) quando determina como verdades “atitudes opostas à vontade de Deus e ao bem do próximo”; entre estas primam “a cobiça exclusiva do proveito e a sede de poder, com o propósito de impor aos outros a própria vontade a qualquer custo” (idem, 37). Nunca um sistema conseguirá dar ao homem aquilo que ele precisa para ser homem se não levar em consideração valores morais que, em última análise, remontam a Deus. A história nos ensina como a dignidade da pessoa humana começou a ser respeitada à medida que o cristianismo entrou a fazer parte de culturas e nações, fazendo desaparecer a escravidão, o comércio de pessoas, o infanticídio sem necessidade de julgamento, etc. Um Estado que coloque regras que prescindem das de Deus é inevitavelmente destinado a implodir, como a história nos mostra, como assistimos acontecer e acontecendo com os dois grandes sistemas que o homem inventou para se “emancipar de Deus”: o socialismo e o capitalismo. Permito-me citar quanto disse certa vez numa reunião, um homem do qual tive sempre muita admiração, o agora Card. Cláudio Hummes: “A revolução Francesa quis substituir a Deus com os ideais laicistas sintetizados nas palavras: Liberdade, Igualdade, Fraternidade (note-se, para não cair em mal-entendido, que o conceito de “fraternidade” da revolução francesa não era o conceito de “fraternidade” cristão). O liberalismo está mostrando os seus lados obscuros como já fez o comunismo. Não será a hora de mostrar o que é a fraternidade cristã?”. Deixando assim entender que o próximo passo, a “fraternidade” não cristã, (muito semelhante, em 1789, àquilo que hoje chamamos de “mundo global”) pode ser mais perigoso ainda. Afinal, quem vai controlar tudo? Quem tem nas mãos os critérios para enviar ou não um contingente a fim de findar uma guerra, ou deixá-la correr? Quem decide sobre o que é “vida”? Quando nasce ou termina? Quem decide o que vestir, que moeda usar, quanto vale um produto cotado numa fantômica bolsa que cria pobreza e riqueza num só dia? Todos respondem sempre: é o “sistema”, o “sistema não funciona” e assim por diante...
A proposta de Jesus não é uma “terceira alternativa” a sistemas existentes, como não é uma utópica anarquia. Estruturas mais humanas somente nascem quando os homens são “mais humanos”. Devolver a Deus o que é de Deus é recordar ao homem que ele é “imagem” deste Deus, do Deus que se faz conhecer objetivamente e publicamente na pessoa, nas decisões, nos atos e nas atitudes de Jesus. Devolver a Deus o que é de Deus é o esforço que a Igreja deve e pode oferecer ao mundo. É o empenho constante e atento, delicado e forte de restituir ao homem o sentido da sua existência. A ação da Igreja foge de um intimismo sentimental que começa e termina dentro da pessoa: é uma decisão viva e visível em favor do homem na sua relação com Deus pois, quando uma pessoa possui a paz dentro do seu coração, quando entende o sentido da sua existência, quando se percebe como amado e capaz de fazer o bem, esta pessoa é então capaz de construir relações alternativas, justas, respeitosas daquela dignidade que a pessoa humana possui. Devolver a Deus o que é de Deus é resgatar o homem do “laço” da meia-verdade, da armadilha existencial que pode deixá-lo mais escravo do que o fato de pagar ou não um tributo.