quinta-feira, 29 de maio de 2008

9° Domingo do Tempo Comum (Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa)

Os Dois Caminhos

A Liturgia de hoje é um convite a construir nossa vida
sobre o alicerce sólido da PALAVRA DE DEUS.
Quando Ela está no centro de nossa vida, caminhamos
com segurança ao encontro da realização plena.

Na 1ª Leitura, temos um Discurso de Moisés, no final de sua vida.
Ele relembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus
e os convida a renovar a Aliança com o Senhor.
É um CONVITE a ter a Palavra de Deus sempre presente:
"gravada no coração e na alma". (Dt 11,18.26-28.32)

Moisés mostra DOIS CAMINHOS:
- Se o Povo aceitar, será uma fonte de bênção e de vida...
- Se viver sem ela, será motivo de morte e maldição...
* Para os hebreus, a Salvação consistia na observância fiel à Lei...

Na 2ª Leitura, São Paulo afirma que a observância da Lei não é suficiente.
Deus salva pela fé em Cristo Salvador, não pela observância da lei:
"Agora sem o concurso da Lei manifestou-se a justiça de Deus...
O homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei Judaica..." (Rm 3,21-25a.28)

* Portanto, a Salvação é um dom gratuito de Deus e
não o resultado de nossos méritos pessoais.
Mas supõe as obras da "fé, que atua pela caridade" (Gl 5,6)
As nossas boas obras comprovam a autenticidade de nossa fé.

No Evangelho, temos o final do Sermão da Montanha.
Cristo (o novo Moisés) oferece à Comunidade a nova Lei,
que deve guiar o novo Povo de Deus. (Mt 7,21-27)

Cristo mostra DOIS CAMINHOS:
- Apenas ouvir (ou anunciar) a Palavra de Deus;
- Ouvir (anunciar) e pôr em prática a Palavra de Deus (Dizer e Fazer).
Para ingressar no Reino, é necessário "cumprir a vontade do Pai".

O texto tem duas partes:
Na primeira parte, Mateus oferece critérios para identificar
os falsos profetas, os falsos discípulos, os falsos cristãos:
São aqueles que dizem "Senhor, Senhor", mas não fazem a vontade de Deus;
profetizam, expulsam demônios, fazem milagres em nome de Deus,
mas não mantêm com Deus uma relação de comunhão e de intimidade;
têm Deus nos lábios, mas o seu coração está cheio de maldade…
Falam muito e bem, mas as suas obras denunciam a sua falsidade.
O verdadeiro profeta, o verdadeiro discípulo, o verdadeiro cristão
é aquele que, além das palavras que diz, faz a vontade do Pai.

Na segunda parte, temos a parábola das duas casas:
uma construída sobre a areia e outra sobre a rocha."Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática",
constrói sobre a rocha. Ela resistirá aos temporais da vida...

+ O Evangelho de hoje nos afirma que:

- Não basta INVOCAR "Senhor, Senhor", ou ter gestos externos de piedade.
Os ritos externos têm valor enquanto expressão de uma atitude interior
de adesão a Deus e de cumprimento da sua vontade…
Os ritos, as orações, os sacramentos, as práticas religiosas, são excelentes,
se mudam nossas vidas, se nos levam aos atos, se criam em nós disposições tais que, saindo daqui, vamos pedir perdão do mal que fizemos,
se prestamos serviços que tínhamos recusado, restituímos o que não nos pertence,
se nos reconciliamos com aqueles que não vemos mais...

- Precisa FAZER a vontade do Pai
A palavra de Jesus vivida com fidelidade todos os dias,
deve ser a rocha firme sobre a qual construímos a nossa vida cristã.
Deve ser a base dos nossos pensamentos, das nossas palavras e das nossas ações.Muitas pessoas do nosso tempo estão convencidas de que ser cristão
é apenas ter o nome inscrito no livro de batizados de uma paróquia,
ou fazer parte de um movimento, ou estar ligado à comissão de festas,
ou aparecer na Igreja nos casamentos e funerais, ou momentos especiais…

O Evangelho é bem claro:
"Ser cristão" não é possuir um bilhete de identidade que atesta o nosso batismo; mas é procurar viver sempre de acordo com as propostas de Deus.

E nós que tipo de cristãos somos?
Somos cristãos apenas porque um dia na infância os nossos pais nos batizaram,
ou porque nós assumimos todos os dias o compromisso
de "fazer a vontade do Pai que está nos céus?"
Que sentido tem cumprir escrupulosamente os ritos externos da religião e
no resto da vida ignorar os valores de Deus?
* Em que tipo de alicerce queremos construir a casa de nossa vida?
- Sobre a rocha firme da Palavra de Deus ouvida e praticada,
- ou sobre valores efêmeros do dinheiro, do poder, da fama, da glória,
da mentira, da injustiça ou da violência?

O nosso futuro dependerá de nossa escolha atual?

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